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© 2017 by Inês Félix

O meu jardim

October 19, 2019

Desde pequenina que tenho uma atracção pelo comércio. Matei o juízo à família e amigas porque os “obrigava" a brincar às lojas comigo. Eu era sempre a patroa :) O meu sonho era ter uma retrosaria, fascinavam-me aquelas caixinhas todas com o botão por fora para se saber o conteúdo da caixa, as infindáveis cores das linhas, as fitas, os elásticos. Tinha uma retrosaria de brincar que se chamava Pega e Põe. Não me lembro quais foram as motivações para este nome, mas a verdade é que todos os recibos a fingir que passava, eram com este maravilhoso nome. Tinha um catálogo, bocadinhos das linhas, fitas e botões colados num caderninho do Pato Donald. Comprava maços de recibos em papelarias, tinha um preçário complexo e era a minha brincadeira preferida de todos os tempos.

 

Depois cresci e até gostava de ter continuado a brincar às lojas, mas a adolescência infelizmente já não o permitia, sempre achei que crescer era chato, mas tinha que ser, apesar da Pega e Põe gritar por mim da gaveta :) Nunca pus este sonho em prática porque não tenho qualquer jeito para costurar nem chamamento para fazer coisas com tecidos, e por isso foi ficando para trás e comecei a interessar-me por papel. As papelarias passaram a ser um paraíso para mim. Sonhei sempre ter uma papelaria com aquela panóplia de papel de diversas cores e gramagens, canetinhas e lápis Caran D’ache. Ainda estive para ficar com um trespasse da minha papelaria preferida mas acabei por não avançar.

 

Mas havia aqui um sonho de empreendedorismo, que sem dúvida fui buscar ao meu Avô João e apesar de trabalhar por conta de outrem, andava sempre à procura de algo que pudesse ser meu, procurei franchisings, negócios engraçados e quando a Joana nasceu, tirei uma licença sem vencimento do meu trabalho de publicitária na McCann Erickson e no meio de fraldinhas e umbigos a cair, criei o Umbigo, a minha marca de convites. Mas ainda acrescentei uma coisa, um bocadinho maluca que foi abrir dois quiosques de bolacha americana. Quem é do Norte conhece de certeza as tripas da Costa Nova, talvez a minha gulodice preferida já que nos Verões que passava na Costa Nova, chegava a ficar 1h na fila só para comer uma tripa com chocolate. O paraíso que seria ter uma casa de bolacha americana só para mim! Abri dois quiosques Zé da Tripa em escolas e a coisa correu mesmo muito bem até vir a crise que abrandou demasiado o negócio.

 

Entretanto desenhei t-shirts turísticas e corri Lisboa inteira para as vender em lojas, depois material da Chiny que também vendia para diversas lojas, fazia feiras de artesanato, adorava ser a minha própria chefe e ser dona do meu tempo. Isto tudo enquanto era mãe a tempo inteiro. Há uns anos voltei a trabalhar numa empresa em part-time como designer e fez-me muito bem voltar a ter colegas e um ritmo de trabalho mais firme. Mantendo este trabalho, tenho agora nas mãos o maior desafio profissional até à data!

 

Desde que as mãozinhas das minhas filhas ganharam alguma motricidade fina para meter a mão na massa, estimulei-as a pintar pedrinhas, inventar fantasmas de lã e sereias em colheres de pau entre muitas outras coisas. Os nossos finais de dia a seguir à escola, quando ainda eram pequeninas eram muitas vezes passados entre tintas e plasticinas. Nas férias de Verão ou da Páscoa naturalmente criava alguns ateliers no nosso Alentejo à sombra de um chorão enquanto elas faziam a digestão do almoço e já não havia Verão sem esse momento diário. Os meus sobrinhos pedem-me muitas vezes para fazer “ateliers” e houve um dia em que pensei que podia fazer disto algo mais sério e levar estes pequenos trabalhos de amor para muito mais crianças.

 

Não foi fácil dar a luz a este projecto, quando trabalho para outros sou muito responsável e eficiente. Mas quando sou a minha própria chefe tenho tendência para procrastinar e confesso que bloqueei por diversas vezes ao longo deste último ano. O medo instala-se, o perfeccionismo, às vezes a falta dele, o querer ter tudo a funcionar logo à primeira. Pus muitas vezes algumas carroças à frente dos bois, sou sonhadora e impulsiva e quando estou entusiasmada vou em frente sem esmiuçar muito mas depois aparecem as inseguranças, os entraves e dúvidas e torna-se difícil desbloquear-me, paraliso e quase que ganho aversão às coisas. Andei meses a tentar pôr isto de pé mas o receio era tal que por vezes nem conseguia pensar no assunto, fugia e inventava desculpas, tinha insónias e preocupações e não conseguia organizar as ideias de maneira nenhuma.

 

Mas algo em mim dizia que este sítio era o sítio certo. Encontrei-o tão por acaso como os melhores acasos da vida e ao espreitar a montra fiquei logo fascinada pela luz natural que tinha. Era para avançar! Era este lugar! Desde que o vi até fazer a escritura foi pouco mais de 1 mês e a partir daí começam as burocracias, que é tudo o que uma mente que usa mais o hemisfério direito teme. Só para pôr água e luz foi um enervamento. Depois tinha que definir o espaço e juro que cheguei a pensar em ter uma cozinha numa das casas-de-banho, uma mini-copa, tal é o meu jeito para inventar projectos de decoração. Uma cozinha num WC. Depois de semanas com o cérebro em sangue para dividir o espaço entre zonas distintas mas em open space, lá me fui orientando, muito devagarinho e cheia de aflição e o projecto da Lígia conseguiu transformar os meus rabiscos e uma loja em cimento em algo maravilhoso, que toda a gente que visita diz que é a minha cara.

 

Nasceu assim o Jardim, a minha academia de criatividade. Inicialmente vai ser um espaço com actividades para crianças dos 6 aos 11 depois da escola e nas férias. Depois vai ser muito mais que isso. Quero ter aqui workshops, aulas de música, tambores, dança, atelier variados, culinária para crianças e adultos, ateliers para pais e filhos, robótica, meditação, actividades para idosos, enfim, devagarinho quero plantar mais flores e mais árvores e espero transformar este espaço num jardim de todos e para todos. Às vezes ainda nem acredito que isto é meu. Tem pozinhos de audácia, coragem e alguma loucura também, como todos os negócios próprios têm que ter, foi arrancado a ferros num ano emocionalmente difícil para mim, mas acho mesmo que tem muito para correr bem, nem que seja simplesmente para eu ser feliz no meio das crianças e fazê-las felizes também.

 

E isto tudo para vos contar que depois de um ano a carregar este misto de medo e alegria, vou finalmente abrir ao público no dia 28 de Outubro! Inicialmente com as oficinas de trabalhos manuais para crianças a seguir à escola. Depois muitas coisas mais.

 

Mantenham-se a par, juntem-se ao meu Jardim, é um projecto movido a amor e dedicação. 

 

Sigam o Jardim no instagram e no facebook e inscrevam-se na newsletter no site.

 

Vamos semear juntos! Obrigada pelo apoio de todos :)

 

 

 

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