14 anos

March 11, 2020

 

 

A minha Rita fez os seus 14 anos num dia em que de repente houve uma viragem grande nesta situação que estamos a viver. Foi nesse dia que parece que começámos a acordar todos para uma realidade que nunca julgámos viver. A festinha dela com a família em casa não teve os avós presentes e foi vivida já em clima de ansiedade com paragens para ouvirmos a conferência de imprensa da DGS.


Há uns anos em 2011 o dia 11 de Março também teve as atenções desviadas para o tsunami no Japão e antes dela nascer houve o 11 de Março em Madrid em 2004.

 

Tinha prometido uma cartinha de amor como sempre faço por aqui mas no meio desta avalanche dum presente estranho e um futuro incerto acabei por não ter ânimo para escrever.

 

Uma semana depois dou-lhe os parabéns , estamos em casa e nós as duas adoramos estar ao nosso ritmo e no nosso refúgio e portanto estamos bem com a situação. Ela não se preocupa com grande coisa, vive bem com tudo, excepto com maremotos. Desde que decidi chamá-la para ver comigo o filme do tsunami do Sudeste Asiático que nunca mais encarou uma viagem de praia da mesma forma. Eu tenho uma tendência estranha para adorar ver filmes-catástrofe e chamo-a para me acompanhar. No outro dia era o Poseidon, com um cruzeiro a ser abalroado no meio do oceano por uma onda gigante. 🤦🏼‍♀️ Depois ganham medos e uma pessoa pensa mas onde é que ela foi buscar este medo tolo?

 

A Rita continua com queda para tudo o que são artes mas anda encanitada sobre a área que há-de escolher, começou a pensar que ciências também era giro porque tem uma paixão como o Nuno pelo universo e tudo o que é astronomia e eu engulo em seco e penso que será uma pena o mundo do design perder esta miúda linda que já faz logotipos quase melhor que eu. Toca piano de forma maravilhosa, aprende pautas do Einaudi sozinha e eu admiro esta frescura para se sentar ao piano e dar conta das músicas com tal facilidade que eu acho que já não tenho para nada na vida. Irrito-a quando entro no quarto tela a fazer danças malucas enquanto estuda. E ela também gosta de me arreliar enquanto faz vídeos chamados: como irritar uma mãe. Pede-me muitas vezes, quando estou afundada no sofá, para fazer tik toks com ela e nos raros casos em que me levanto e não faço movimentos só lá atrás com as pernas e braços, percebo que tem um jeito natural para decorar tudo o que são coreografias e eu tenho um jeito natural para as esquecer. Como é que as pessoas conseguem? E as aulas de step no ginásio, como é possível aquilo àquele ritmo? Eu sou tão descoordenada que já pensei em ir ao médico. 😅

 

Quando vai para as aulas de ginástica no nosso Glorioso emociono-me sempre que a vejo de coque, a sério! Fica tão linda, tão ginasta, tão profissional. Agarro-a sempre e digo-lhe que está linda e maravilhosa mas ela vai sempre a grunhir quando tem que sair de casa já de noite para ir para os praticáveis. No fundo adora a ginástica, mas sei bem o que lhe custa sair de casa às 19:30 para ir treinar. E nos saraus que me dá sempre vontade de chorar? Sou um vidrinho e quando sinto uma tal admiração desmedida, ela manifesta-se com um nó na garganta. Às vezes este nó vem nas alturas mais estranhas. Ando a tentar ensinar a não dizer “literalmente” em literalmente quase todas as frases que diz. Já lhe expliquei que por exemplo dizer “é literalmente como encontrar uma agulha num palheiro” é porque é mesmo uma agulha de coser e um palheiro cheio de palha. Mas não está a resultar. O literalmente dá toda uma veracidade, exagero e emoção ao que querem contar que os miúdos hoje em dia o usam a toda a hora.

 

Admiro a sua forma descontraída de viver, tenho a certeza que é das poucas pessoas que conheço que vive mesmo no presente. Não se preocupa com o que já passou nem olha muito para a frente, às vezes faz-me confusão porque confundo com menos emoção, mas não lhe falta nada, ela é que está certa. É menina no pai, põe-se sempre do lado do Nuno, temos as nossas turras, nada sério, só quando tem vergonha de mim quando começo nas minhas graçolas em público, em público ao pé dela tenho que ser um robot🤪 mas temos um humor muito parecido, uma alegria muito nossa, loucura por comida igual e de vez em quando ainda me pede para me ir deitar com ela e eu, mesmo que não me apeteça levantar, vou porque, para já adoro o colchão dela😂, e depois porque é maravilhoso estar no escurinho a conversar com ela sobre tudo e sobre nada como quando era pequenina. E estarmos as duas enroladinhas uma na outra.

Parabéns Ritinha, quando tudo isto passar vamos fazer uma festa com toda a gente que queiras aqui em casa, com sopros de velas, beijinhos e abraços! E tudo vai ter outro valor.🌈

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